10:33 AM by Bruna Mendez
24/09/08
Uma e quarenta e três, acordei, dei uma volta pela casa e percebi que todos já haviam saído pr'os seus afazeres, com a calça do pijama e uma camiseta com mais de 6 anos, reparei o quão deprimente estava a situação, fui escovar os dentes, tentei de todos os jeitos não precisar acender a luz, estava evitando também olhar no espelho, infelizmente a luminosidade desse horário não condizia com a falta de luz daquele canto, não queria me ver naquele estado, como fui obrigada a acender as luzes, dei de cara comigo mesma, meus olhos involuntariamente encheram-se d'água, joguei a culpa na tal pressão que tenho neles e que me faz lacrimejar constantemente, enxaguei a boca e tornei a ver-me no espelho, virei o rosto pr'um lado, pr'outro, me via triste, e naquela hora eram quatro de mim, me via triste no espelho e nas minhas pupilas, me sentia triste, o pior, eu me sentia triste.
Parei e suspirei ainda em frente ao espelho, pensei: tamanha tristeza deve-se ao fato de querer sempre o que meu coração pode suportar (e claro é sempre mais do que eu posso ter), de querer sempre quem eu acho que vou fazer feliz e não de querer o que minha beleza pode comprar, ou melhor, ganhar. Continuei paralizada, afinal, naquele momento eu precisava me sentir morta, estava pensando nela, conclui: aquele sorriso me custa o corpo inteiro, imagina ela, imagina os olhos, o que não me custariam ?! E o pior: imagina o corpo, o que o corpo dela me custaria, creio que a vida, ou umas 100 de mim.
Como diz Caio Fernando Abreu "Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio" eu poderia mudar pr'a: Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio e que amar platonicamente não tem antídoto. Mas apesar disso, amar nessas circunstancias é o melhor veneno que já chegou até o meu coração, e as substancias estranhas, já tornaram-se parte de mim, de choque anafilático não morro, mas de amor, talvez um dia.

Comments (7)


Blogger Luciano Freitas
12:10 PM  

gosto muito da maneira como escreves. é tudo tão profundo...

bjoks

Anonymous Anonymous
5:31 PM  

gostei do seu texto, tão triste, apaixonante.

Blogger aninha #)
5:41 PM  

as vezes podemos ter oqe achamos impossível, as vezes não, daí só nos cabe aceitar. mas bem no fundo, onde achamos que não pode haver mais nada de sentimentos, mora uma força que não nos permite morrer por um amor assim. ao menos eu acredito nisso!
adorei teu texto, sincero triste e apaixonante como já comentaram!
beijo :)

Blogger Jéss
7:37 PM  

Tu passa sentimento nessas linhas! de fato, adorei!

http://tudoalheio.blogspot.com/

Blogger Luciano Freitas
8:12 AM  

Passei aqui novamente. Eu precisa ler isso novamente. Lindo demais!

bjoks

Blogger Deborah
2:59 PM  

estudante dos amores não correspondidos, eu vou te dizer que vc escrevê-lo como ninguém.

Anonymous Anonymous
6:10 PM  

Amar é um saco. Mas é impossível não amar.

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